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Jardinagem Libertária em Tchekhov

Posted in Uncategorized with tags on junho 2, 2008 by goura

SONIA: Mikhail Lvovitch planta novos bosques todos os anos e já recbeu uma medalha de bronze e um diploma por isso. Ele se esforça para que as velhas florestas não sejam derrubadas. Se a senhora o escutar vai concordar com ele em tudo. Ele diz que as florestas embelezam a terra, ensinam ao homem o que é belo e elevam o espírito. A floresta atenua a severidade do clima. Nos países onde o clima é mais ameno gastam menos energia na luta contra a natureza e, por isso mesmo, lá o homem é main manso e terno, lá as pessoas são mais bonitas e sensíveis, o entusiasmo brota fácil, a fala é melodiosa e os movimentos são graciosos. A ciência e as artes florescem, a filosofia não é tão lúgubre e a relação com a mulher é impregnada de beleza e nobreza.

VOINITSKII: (rindo) Bravo, bravo! Tudo isto é encantador, mas nada convincente, portanto (a Astrov) nos permita, amigo, que continuemos usando madeira para aquecer nossas estufas e construir nossos celeiros.

ASTROV: Você poderia aquecer a estufa com turfa e construir o celeiro com pedras. Está bem, que seja, você pode cortar a árvore quando precisar . . . mas para que destruir as florestas? As florestas russas rangem sob os golpes de machado, milhões de árvores são derrubadas, os lares dos animais selvagens e dos pássaros são revirados, os rios se esgotam e secam, desaparecem para sempre as paisagens maravilhosas (somente porque não passa pela cabeça do homem preguiçoso dobrar as pernas e catar a lenha do chão. (A Ielena Andréivna) Não tenho razão, minha senhora? É um bárbaro insensato aquele que queima na estufa essa beleza, destrói aquilo que somos incapazes de criar. O homem foi dotado de juízo e força criadora para que multiplicasse aquilo aque lhe foi entregue, mas até agora nada criou, apenas destruiu. A cada dia as florestas minguam mais e mais, os rios se esgotam, a vida selvagem se extingue, o clima fica mais adverso e a terra cada vez mais se torna pobre e feia. ( A Voinitskii) Seu olhar é irônico e acha que estou falando besteiras . . . talvez haja, de fato, algo de excêntrico nisso tudo, mas quando passo pelos bosques dos camponeses que salvei da destruição, ou quando ouço o sussurar do bosque jovem que plantei com as próprias mãos, então sei que o clima depende um pouco de mim também, e se dentro de mil anos o homem for feliz, então eu também contribuí com uma pequena parcela para isso. Quando planto uma muda de bétula e mais tarde a vejo verdejante, agitando-se ao vento, minha alma se enche de orgulho e eu . . . no geral amo a vida, mas acho insuportável nossa vidinha russa burguesa e provinciana, eu a desprezo com todas as minhas forças.”

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