Jardinagem Libertária em Schopenhauer

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“Ainda assim, como a natureza é estética! Todo pequeno espaço inteiramente não cultivado e selvagem, em outras palavras, deixado livre para a própria natureza, é de pronto decorado por ela da maneira mais graciosa – é adornado com plantas, flores e arbustos, cujo desenvolvimento  fácil e irrestrito, graça natural e belo agrupamento, atestam que eles não cresceram sob a varinha da correcção do grande  egoísta, mas que aqui a natureza tem sido livremente ativa. Todo pequeno canto negligenciado imediatamente torna-se belo.

Sobre isto se estabelece o principio dos jardins ingleses que é o de esconder a arte tanto quanto possível. Pois apenas assim a natureza é perfeitamente bela, em outras palavras, mostra com grande distinção a objectivação da vontade de viver que é ainda sem conhecimento. Esta vontade se manifesta aqui com a maior ingenuidade, pois as formas não estão determinadas, como no mundo animal, por fins e objetivos externos, mas apenas imediatamente pelo solo, clima e uma misteriosa terceira coisa, em virtude da qual tantas plantas que brotaram inicialmente do mesmo solo e clima mostram, ainda assim, tamanha diversidade de formas e caracteres.

A imensa diferença entre os jardins ingleses, ou mais corretamente chineses, e os antigos jardins franceses, os quais  estão agora se tornando cada vez mais raros, mas que ainda existem em alguns espécimes esplêndidos, se assenta, em ultima analise, no fato de que os primeiros são dispostos num espirito objetivo, os outros, subjetivo. Assim, naqueles a vontade da natureza, que se objetiva em arvore, arbusto, montanhas e curso  d’água, é trazida à expressão mais pura  possível destes, suas Idéias, e assim, de seu  próprio ser interno. Nos jardins franceses, por outro lado, apenas a vontade do dono é refletida. Ela subjugou a natureza de tal forma que ao invés de suas Idéias, ela carrega, como sinais de sua  escravidão, formas artificiais impostas a força sobre ela, tais como arvores cortadas em todos os tipos de formas, linhas retas, arcos e assim por diante.” 

Arthur Schopenhauer – in Isolated remarks on natural beauty (WWR II – p.403)

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Uma resposta to “Jardinagem Libertária em Schopenhauer”

  1. Jardinagem e Poder
    O texto do Schoppenhauer sobre o jardim francês me remete às idéias sobre a jardinagem japonesa, mais específicamente os bonsais, que tem como objetivo manter em miniatura artificial as formas da natureza, moldando-as e tolhindo-as, para agradar o paladar estético humano. É algo que se assemelha ao antigo costume chinês de moldar os pés femininos, por exemplo. Seu princípio, de exercer o poder sobre a natureza, é análogo também aos regimentos de uma sociedade paradigmática com tendências a moldar a personalidade para facilitar o auto-controle e defesa(contra culturas diferentes ou desconhecidas… é da natureza orgânica). Neste contexto, diversidade significa não ser moldado, não estar totalmente sob o controle dos poderes da sociedade.
    Isso me leva a pensar que a natureza procura o equilíbrio através da diversidade, e o homem acha-o na padronização.

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