Arquivo para outubro, 2008

Curso de Permacultura – Curitiba e região

Posted in Uncategorized on outubro 26, 2008 by goura

Posted in Uncategorized on outubro 19, 2008 by goura

“Enquanto houver civilização,  somos todos espécies ameaçadas.
A máquina civilizatória,  guiada pelo progresso (leia-se transformar florestas em caixas de concreto e desertos de monocultura) deve ser parada a qualquer custo.
O argumento da elite é de que a simples desaceleração da máquina causaria mortes e sofrimento para todos, mas isso é só uma desculpa para manter seus padrões surrealistas de superconsumo sempre crescente. Nossas obrigações são: recuperar modos de vida em simbiose com o macroorganismo Gaia e acelerar o colapso da civilização capitalista-industrial.”

Pura Afetividade

Posted in Uncategorized on outubro 19, 2008 by goura

Jardinagem Libertária em José Lutzenberger

Posted in Uncategorized with tags on outubro 17, 2008 by goura

VALE A PENA TER UM JARDIM?


José Lutzenberger
Ecologia – Do Jardim ao Poder*
Porto Alegre 1985

Já não é necessário ser naturalista para ver que nossas cidades são monstruosas. Todos começamos a sentir que o que chamamos “progresso” é, na verdade, uma corrida grotesca que nos torna cada dia mais neuróticos e desequilibrados.

Necessitamos de compensações. O jardim pode ser uma destas compensações. Além de contribuir substancialmente para a saúde do corpo e da alma, a jardinagem poderá constituir ocupação de grande valor educativo, pois nos fará sentir a Natureza, da qual estamos tão alienados. Mesmo quando praticada em escala mínima, a jardinagem restabelece um certo elo entre o homem e a Natureza, abrindo-nos os olhos para seus mistérios. Tivéssemos mais jardins, públicos e privados, seria mais amena e menos embrutecedora a vida nas cidades.

Fazer ou não um jardim que cumpra tão importantes funções depende menos dos meios de que se dispõe do que da própria inclinação e disposição diante da tarefa. Quem é muito rico e dispõe de muita terra é claro que poderá, se quiser, fazer um imenso parque, com paisagismo esmerado. Mas com meios muito modestos também se pode fazer muita coisa, não menos interessante. Grande contentamento e paz de espírito pode-se obter com meios irrisórios. Há os que sabem fazer jardins fascinantes em poucos metros quadrados e que obtêm imensa satisfação no cuidado que lhes dispensam. Até no balcão de uma janela pode-se cultivar um pedaço de natureza, e mesmo num pequeno aquário pode surgir um jardim submerso encantador. A Natureza oferece um sem número de possibilidades. Quem sabe observá-la e tem imaginação nunca cansará de maravilhar-se diante dela. Sempre descobrirá coisas novas e surpreendentes. Aprenderá a deleitar-se com ela.

Assim como eu posso gostar de jardins grandes e variados ou de árvores centenárias com seu vestido de epífitas, posso também deleitar-me com a arte do bonsai, que consiste em cultivar miniaturas de árvores. Em São Paulo, temos um grupo de japoneses que trouxe de seu país esta tradição. São grandes artistas. Alguns possuem exemplares de indescritível beleza. Estas miniaturas passam de pai a filho. Há os que possuem bonsais de 300 ou 400 anos. Dedicam muito tempo, paciência, amor e carinho a suas plantas. Devem obter tremenda satisfação e paz de espírito nesta arte.

Em nosso País, temos um flora exuberante – ainda exuberante, porque, da maneira como hoje a combatemos, em poucos anos já não sobrará muita coisa. Nossa flora é uma das mais ricas do mundo. Temos uma infinidade de plantas e comunidades florísticas preciosas que poderiam ser protegidas ou cultivadas. Há campo para especialistas e para generalistas, para os que gostam de dedicar-se a um só grupo de plantas como para os que preferem ambientes complexos. Para os primeiros oferecem-se as orquídeas, cactáceas, bromeliáceas, suculentas ou samambaias, musgos, aráceas, plantas aquáticas ou carnívoras e muitas, muitas outras. Para quem gosta de ambientes harmônicos, os nossos ecossistemas naturais oferecem exemplos de formas e combinações as mais diversas.

O que nos falta é a mentalidade para ver a beleza do nosso mundo. Somos cegos diante da Natureza. Se o homem industrial moderno está, em geral, alienado da Natureza, entre nós esta alienação atinge seu clímax. Predomina entre nós o esquema mental do caboclo que, quando lhe perguntei pelo nome popular de uma determinada planta silvestre, me olhou muito surpreso e respondeu: “Mas isto não é planta. Isto é mato!”. Usava a palavra “mato” com entonação profundamente depreciativa. Eu quis saber então sua definição de “planta” e de “mato”. Deu-me um olhar ainda mais incrédulo e condescendente e explicou que “mato” era tudo aquilo que vingava sozinho, que não prestava, que devia ser exterminado, e que “planta” era o que se cultivava, o que tinha valor, que dava dinheiro. Quando me afastei, tive a impressão de que ele me considerava um pobre louco, por não saber fazer distinções tão evidentes.

Quem tem este esquema mental nunca saberá, é claro, fazer um jardim realmente interessante, nem terá vontade para tanto. Fará, quando muito, um jardim convencional, do tipo que predomina entre nós, com canteiros geométricos, de preferência rodeados de concreto e com plantas desfiguradas pela tosa ou poda mutiladora. Quando enxergar uma árvore velha coberta de belíssimas epífitas, só pensará em como limpá-la de suas “parasitas”. Nos loteamentos, preparará o terreno pela terraplenagem violenta, arrasando tudo o que é natural, para então construir as casas em uma paisagem lunar onde, para fazer um jardim todo artificial, terá que trazer terra vegetal de outro lugar, causando assim mais uma depredação no mato natural em que obtém esta terra.

Só saberá fazer um jardim que lhe proporcione realmente satisfação e serenidade aquele que aprende a amar de fato a Natureza, porque este se dedica pessoalmente às suas plantas. Nunca entregará seu jardim aos que vêm armados com serrote e tesoura de podar e que si dizem jardineiros, mas que são apenas massacradores de plantas. Só quem faz de seu jardim um hobby poderá dele tirar prazer compensador.

Não temos demonstrado a mínima sensibilidade nem reverência pelas coisas da Natureza. Já houve entre nós os que ofereciam “concreto verde” para aqueles que reclamavam mais verde. Nossas árvores urbanas estão todas em estado deplorável, por causa da absurda moda das mutilações periódicas, geralmente praticadas pela própria administração pública. Em ambientes como este, é difícil que floresça uma cultura jardinística como a que podemos observar em alguns países europeus.

Mas nunca é tarde para começar.

http://www.fgaia.org.br/

Entrevista para a revista Prana Yoga Journal

Posted in Uncategorized on outubro 15, 2008 by goura

1)       Quando e como este movimento começou?

 Bom, a JL existe desde sempre, não é uma idéia nova. Acho que o homem moderno tem se desconectado da natureza de uma maneira muito radical, preferindo uma vida artificial à vida verdadeira. A JL é uma forma de tentar resgatar esta conexão. No nosso caso chegamos à ela através das intervenções urbanas e de trabalhos artísticos diversos que tinham a rua como suporte. Temos um coletivo aqui em Curitiba, que existe há mais de 6 anos, chamado INTERLUX ARTE LIVRE. O termo ‘jardinagem libertária’ surgiu num contexto em que estávamos plantando árvores nas ruas da cidade, sem pedir permissão ao estado, sentindo-nos autorizados pela própria mãe natureza.
 
 
2)       De quem foi a iniciativa e qual é o objetivo deste movimento?
 
O termo surgiu numa ação nas ruas há mais de 3 anos. A idéia é uma prática de jardinagem que produza uma relação afetiva entre aquele que planta, aquilo que é plantado e o local onde se planta. As coisas devem estar entrelaçadas. Pensamos no reflorestamento urbano, na ocupação dos espaços de terra da cidade, no destino inteligente do lixo orgânico que produzimos, e em reflexões que surgem destas ações diretas: Por que deveríamos viver de maneira tão submissa? Por que não podemos agir criativamente no espaço em que vivemos? Por que temos que colocar nossas vidas nas mãos de pessoas que carecem de conhecimentos básicos sobre a natureza, o homem e a relação harmoniosa que deve existir entre eles? A JL é essencialmente anarquista e quando usamos este termos estamos tentando resgatar o que ele tem de mais positivo e provocador. Como disse Thoreau: ‘O melhor governo é o que menos governa.
 
 
3)       Com quantas pessoas começou e quantas fazem parte do movimento?
 
Começamos as atividades dentro do nosso próprio grupo aqui em Curitiba, que consiste de cerca de 10 pessoas. Atualmente existem grupos da JL em diversas cidades do Brasil – Blumenau, Porto Alegre, Cabo Frio, Campo Grande, Rio de Janeiro, São Paulo etc. Tem inclusive muita gente que pratica a JL sem saber deste nome, mas que compartilha plenamente deste espírito.
 

 

5)       Como fazer parte? O que fazer de ação e como divulgar?
 
Começe olhando para o espaço onde você vive. Observe a diversidade que existe de fauna e flora. Veja o impacto que os seres humanos tem neste ecossistema. Pergunte-se que tipo de ação é possível neste local específico onde você se encontra. Dá para plantar árvores? Flores? Hortaliças? Dá para propor um composteiro? Enfim, busque conhecimentos, aja com sabedoria e crie conexões com os demais habitantes do local. Em geral as pessoas vão apreciar o que você está fazendo, mas poucas irão além desta apreciação. Outros irão te criticar, podendo mesmo atrapalhar deliberadamente sua jardinagem. Não desanime. Se destruírem o seu jardim, seja persistente. Divulgue as ações. Espalhe cartazes e artes pelo bairro. Distribua mudas e sementes. Chame a atenção à maneira desastrosa com a qual estamos nos relacionando com a natureza. De que vale a pena viver se a vida não traz nenhuma satisfação e nossas ações são todas contrárias ao dharma, a ordem natural do cosmos?
 
 
6)       O que vocês já conseguiram com este movimento? Conseguiram algum resultado prático?
 
Conseguimos plantar mais de 40 árvores pelo bairro onde vivemos, algumas espécies já estão com mais de três metros de altura. Já distribuímos cerca de 3000 mudas. Estamos espalhando uma mensagem, procurando unir as pessoas que compartilham de um ideal de vida mais humano, criativo e pacífico. O blog tem servido pra isto – https://jardinagemlibertaria.wordpress.com/ Acho que a JL está crescendo organicamente e isto é o mais importante. Não queremos salvar o mundo. Não somos uma ONG e nem mesmo um movimento. A JL é uma idéia. Uma idéia perigosa, diga-se de passagem. Com ela podemos nos sentir ‘donos’ da cidade, participantes ativos da vida urbana cotidiana.
 
 
7)       Tem apoio ou patrocínio de alguém? O governo ou alguma ong apóiam ou ajudam de alguma maneira?
 
Não. A JL é independente. Mas é claro que se houver a possibilidade de parcerias criativas elas irão acontecer. Imagine uma política pública de hortas comunitárias, plantios coletivos, redução do lixo doméstico etc. Isto seria genial, mas nossos políticos tem outras prioridades. A natureza não está definitivamente na agenda deles. Temos que contar com aquilo que é certo – nosso próprio esforço. Pessoalmente prefiro não ter apoio algum a ter este tipo de coisa – 

 
8)       Me fale um pouco da relação do Karma Yoga e da preocupação com o meio ambiente?
 
Na Bhagavad Gita, Krishna fala que aqueles que não estão conectados ao yoga e que compartilham das qualidades dos asuras (os seres demoníacos), executam ugra-karma – ações hediondas, terríveis, que tem como objetivo a destruição do mundo. Quando abrimos um jornal e vemos o estados das coisas no planeta, quando andamos pelas nossas cidades congestionadas e poluídas, quando observamos o desrespeito completo com o qual tratamos os animais, florestas e mares, constatamos que estas atividades terríveis estão dominando nosso estilo de vida. Acho que todo yogi deve se posicionar nesta luta por um mundo mais equilibrado. Os professores devem chamar atenção a este assunto.
 
 
9)       Qual é o papel do yogi neste contexto? Você divulga estas ações entre seus alunos? Eles participam?
 
O yogi é aquele que está buscando a visão equânime, o conhecimento da essência eterna e idêntica presente em todos os seres. Também na Gita lemos que o yogi é capaz de olhar para o mundo de forma distinta, reconhecendo esta união, esta harmonia e tornando-se alguém que ilumina o ambiente ao seu redor. As qualidades do yoga são necessárias para o difícil momento em que vivemos.
 
Aqui em Curitiba todos os estudantes que chegam às nossas aulas recebem mudas para plantar em suas casas e nas ruas. Temos divulgado ativamente os princípios da JL especialmente entre a comunidade yogi, pois percebemos que é pelo ganho de consciência proporcionado pelo yoga que podemos nos abrir a demais perspectivas libertárias e de mudança. O yoga é essencialmente uma disciplina libertária.
 
 
10)   Gostaria que você me contasse as histórias mais legais que aconteceram durante alguma ação de vocês ou pessoas legais que conheceram.
 
É engraçado ver as reações das pessoas. Nossas vidas são marcadas por tanta passividade e submissão que quando alguém se coloca numa posição ativa e diz ‘Não, não vou me submeter à preguiça e indolência espiritual. Não vou me alienar. Não serei dominado por um sistema injusto’, quando alguém diz estas coisas e age de acordo, isto gera um grande espanto nos demais.
 
Uma coisa bonita que aconteceu foi há cerca de um ano, quando estava plantando uma árvore na rua, em frente ao Govardhana (nosso espaço de yoga), quando duas crianças apareçeram e pediram para ajudar. Elas colocaram a mão na terra, trouxeram água e a garota mais velha ainda deu uma lição de karma-yoga para mim e para o outro menino que estava com ela. O garoto disse: ‘Ah, mas eu nem vou ver esta árvore grande, eu nem vou comer os seus frutos‘, quando a menina o interrompeu dizendo: ‘Mas você não pode agir pensando só em você, você tem que agir desinteressadamente, por uma questão de dever.’
Aquela situação foi muito emblemática. Acho que quando estamos interagindo com a rua e com a natureza estamos nos abrindo a experiências engrandecedoras. E como disse o poeta Wordsworth: ‘A criança é o pai do homem.
 
Professora de Vedanta Glória Arieira, participando da Jardinagem Libertária em Curitiba

Professora de Vedanta Glória Arieira, participando da Jardinagem Libertária em Curitiba

quer adotar um pinheiro?

Posted in Uncategorized on outubro 14, 2008 by parashu3

Quem quer, faz.

Posted in Uncategorized on outubro 9, 2008 by goura

Entre pás, vasos, mudas e minhocas, a repórter Carol Costa vai passar um mês com as mãos sujas de terra. Será que a semente vai vingar?

A revolução das pás
Li recentemente sobre algumas pessoas que fazem jardinagem libertária. A idéia é simples e, como toda intervenção urbana, acontece sem aviso prévio: as pessoas vão até o canteiro, pracinha ou parque mais próximo e plantam. O que será plantado não importa muito. O valor da coisa está em agir sem pedir licença pra ninguém, sem esperar que a Secretaria disso ou daquilo mande uma autorização em três vias. Verde, mas anárquica.

A chiadeira cresce tão rapidamente quanto essas intervenções ecológicas. Responsáveis pelos órgãos competentes reclamam que algumas espécies podem trazer mais problemas que benefícios. É o caso de árvores de raízes profundas ou troncos quebradiços e de mangueiras, abacateiros e outras espécies de frutos polpudos, que podem cair sobre carros ou pessoas.

A preocupação dos governantes é válida, sim. Mas, convenhamos: alguém disposto a sair de casa com luvas, pás e enxada não teria a insensatez de plantar uma jaqueira em pleno meio fio, né? Isso porque jardineiros libertários precisam ser, antes de tudo, jardineiros. Pelo menos, devem entender minimamente de coisas como transplante e poda. Caso contrário, todo o esforço de plantar terá sido em vão.

Vou aproveitar o final de semana para fazer uma visitinha à praça em frente à minha casa. Pode ser que vá acompanhada de pás e rastelos. O negócio é aproveitar enquanto plantar ainda não é crime.

Postado por Carol Costa – 03/10/2008